Ideias que se pode ter quando se está na França

A ideia de que os franceses ou mais particularmente os parisienses estão sempre apressados e não têm tempo para ninguém parece constituir um lugar-comum de muitos de nós. De facto, quando se anda nas ruas nota-se que as pessoas andam numa velocidade um pouco acima do normal e por vezes até chocam. Acontece, por vezes, que quando te encontras desorientado interpelas alguém para pedir informações e recebas como resposta “Désolé ! ”; certas vezes não porque a pessoa não tenha as informações desejadas, mas simplesmente porque não quer perder tempo. Por que isto é assim? Eis a pergunta.

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As respostas podem ser várias, consoante o ponto de vista de cada um dos observadores. Pode-se pensar na maldade, no isolacionismo, na falta de abertura, entre outras razões, algumas delas a priori refutáveis se se considerar que as mesmas pessoas que encontramos nas ruas da cidade, quando encontradas noutros contextos revelam posturas e comportamentos completamente diferentes. Tenho notado com bastante satisfação que as pessoas que prestam serviços públicos, nomeadamente nas recepções das instituições, nas bibliotecas, nos diferentes organismos ou sectores universitários são, em regra geral, acolhedoras, atenciosas e simpáticas. Talvez se deva a questões profissionais! Se assim for temos que dar parabéns às instituições em nome da sua excelente capacidade de mobilização/sensibilização e de artificialização do comportamento humano.

Pessoalmente prefiro associar este fenómeno ao desenvolvimento do país que impõe, quanto a mim, certos níveis de organização que se manifestam de diferentes formas e a diferentes níveis. No caso vertente, com a facilidade de acesso às informações orientadores aliado ao sistema de transportes altamente eficaz, a pessoa pode prever cada minuto da sua vida. Por exemplo, a pessoa sabe, à saída da sua casa, quanto tempo vai levar para chegar ao destino e pode não sobrar um minuto para responder a uma pergunta de um eventual desorientado. Será esta a razão? Não sei, mas assim me parece!

Aliás, não sei se será uma má impressão, suspeito que eu pessoalmente ande apressado e mais em função do tempo quando estou na França, coisa que faço com algumas dificuldades quando estou em Moçambique, pelas razões que todos sabemos, escuso-me de mencioná-las.

Paulino Fumo, doutorando em ciências da linguagem em Paris 8.

Paulino Fumo, doctorant en sciences du langage à Paris 8, se penche avec humour sur l’explication du comportement pressé des Français et des Parisiens. Cette manière d’être, cliché mais aussi réalité selon lui (expérience du passant désorienté éconduit par un simple « Désolé ! »), pourrait tirer ses origines de l’organisation sociale du temps et des transports. Vu l’efficacité du système de transport et la facilité d’accès à l’information, chacun peut planifier sa journée à la minute près et n’aurait donc pas de temps dans son agenda pour répondre aux questions d’orientation d’un touriste perdu ! Une interprétation personnelle intéressante qui donne matière à réflexion !                                                               …                                                                                                                                     Paulino Fumo, PhD Student in linguistics at Paris 8 university, tries to understand why French and Parisian people always are in a hurry. Between cliché and real behavior, Paulino thinks it could be a consequence of the French social organization. Considering the high quality transport system and the easy access to any information, it becomes so easy to plan a day by the minutes that there is no time left in the agenda to answer the questions of a lost tourist! An interesting point of view, ground for further reflections!

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