O meu «olhar » sobre a França

Não sei se encontrarei palavras suficientes e capazes de descrever o que vi e ouvi, o paladar e o aroma que senti e o que pude tactear durante a minha estadia na França.
Quando desembarquei pela primeira vez, precisamente no Aeroporto Charles de Gaulle, senti um misto de alegria, emoção e medo pois o lugar era desconhecido e diferente dos que já tinha estado. Pensei que fosse me perder naquela imensidão. Vi muita gente, de diferentes raças, idades, de ambos os sexos, algumas pessoas em trânsito para outros países e outras chegando ao seu destino. Foi o primeiro sinal da diversidade cultural que se pode observar em França e, que a posterior confirmei quando me hospedei na Residência Universitsitária Marie Curie. Sou de opinião que o melhor local para se hospedar, sobretudo para quem chega pela primeira vez em França, na qualidade de estudante é a residência universitária. É um dos locais onde se pode verdadeiramente interagir com pessoas de todos os cantos do mundo, conhecer a sua cultura, o seu modus vivendi, o seu comportamento. Considero que esta interacção faz parte do processo de aprendizagem, da formação humana, do nosso auto-conhecimento e nos permite também observar a nossa própria cultura, não como parte integrante dela mas como simples observadores, podendo avaliá-la. Esta diversidade cultural está presente nos diferentes sectores de actividade, à titulo de exemplo na educação, saúde, nas forças armadas e de defesa, nos midias, no sector informal, entre outros.
À medida que ia caminhando e contemplando o imenso Aeroporto, a minha inquietação foi desaparecendo. Para além da sua grandeza, o nivel de organização do Aeroporto também despertou a minha atenção, há placas informativas com mensagens escritas em inglês e francês orientando em função das necessidades; há guichés de informação e outros serviços que são prestados aos passageiros e clientes.

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Alicénia Pensar Abudo

Ao entrar no TGV cuja estação encontrava-se anexa ao Aeroporto Charles de Gaule constatei a operacionalidade da rede de transporte. Mas, não foi o unico aspecto que me permitiu chegar a esta conclusão, já em Poitiers pude verificar que para além dos transportes aéreos, os transportes ferroviários e terrestres também fluem. Existem horários estabelecidos para a passagem dos machimbombos. Estes estão fixados em todas as paragens, há cadernetas que são distribuídas e, é possível a sua consulta via internet, no site da empresa de transporte. Este procedimento contribui para a redução do tempo de espera nas paragens pois o passageiro pode dirigir-se à paragem alguns minutos antes da passagem do machimbombo.
Não importa somente estabelecer os horários de passagem dos machimbombos mas, também cumpri-los. Em Poitiers, os condutores observam rigorosamente o horário, inúmeras vezes perdi o machimbombo por ter chegado ligeiramente atrasada.
Relativamente à cidade de Poitiers constatei que é uma cidade muito pequena, calma e sem a agitação das grandes cidades. Embora seja pequena, existem infraestruturas básicas tais como escolas, hospitais, farmácias, edifícios para habitação, estradas pavimentadas, grandes centros comerciais, etc.

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Considero que a cidade de Poitiers é uma cidade essencialmente universitária pois quase tudo gira em torno da Universidade com o mesmo nome. São os estudantes que dão vida à cidade. No período de férias escolares a cidade fica quase deserta pois, muitos estudantes viajam para visitar os seus familiares dentro e fora da França. Os transportes públicos reduzem o número de viajens e os horários sofrem alteração. Em suma, fica uma cidade com pouca vida, sem cor e sem brilho, pois mais do que as infraestruturas, o factor humano é primordial. Contudo, para quem pretende prosseguir com a sua formação recomenda-se que opte por esta cidade e pela respectiva Universidade pois são promovidos cursos interessantes, dispõe de um corpo docente competente e óptimas condições de estudo.

Nos mercados e supermercados encontramos o reflexo da globalização, há diversidade de produtos e para cada produto há diferentes marcas nacionais e estrangeiras ; ao título de exemplo é comum encontrar na secção dos vegetais, tomate marroquino, francês, espanhol e proveniente de outros países. A maior parte dos produtos de primeira necessidade aparece em conservas, empacotados ou enlatados, diferentemente do que ocorre em Moçambique, e o preço destes é mais baixo do que o dos produtos frescos. Há também lojas especializadas na venda de produtos africanos, que variam desde os produtos de primeira necessidade (típicos de alguns países de Africa) à cosméticos próprios para os africanos.
Relativamente ao comportamento da sociedade, constatei que a maior parte da população não é alegre e é composta por pessoas muito solitárias. É difícil encontrar pessoas sorridentes e simpáticas. Andam sempre apressadas e nas ruas, muitas delas não têm tempo para dar uma simples informação. Quando questionadas sobre a localização de algum lugar a resposta é « desolé, je suis pressé » e esta resposta é dada enquanto a pessoa caminha. Nos machimbombos a maior parte dos passageiros não conversam, são muito reservadas e têm dificuldades em saudar ao próximo.
Um outro aspecto que pude constatar é que as pessoas preocupam-se muito com a imagem, sobretudo as mulheres. Fiquei admirada com a excessiva vaidade feminina, sobretudo com as mulheres mais velhas. Sempre procurando artifícios para rejuvenescer, que variam desde o traje, a prática desportiva e outros. Em minha opinião, este comportamento deriva do tipo de publicidade que é frequente nos diferentes canais televisivos, há muito glamour e promoção de produtos de beleza, vestuários, etc.
Em Poitiers o custo de vida é elevado. Mas, mesmo com o elevado custo de vida, caminhando pelas ruas é difícil distrinçar os estratos sociais das pessoas, pois quase todas conseguem satisfazer as suas necessidades básicas. Elas têm acesso a alimentação, vestuário, a educação e saúde de qualidade. Embora, normalmente os produtos comercializados sejam caros, pelo menos duas vezes ao ano, tem havido promoções nas quais o preço dos produtos baixa significativamente, chegando a atingir 30% do preço inicial. Também existe um sistema de ajuda social muito bom, que abrange os estudantes, e consiste na atribuição de um subsídio para o pagamento da renda em residências universitárias ou privadas.
No que diz respeito a criminalidade, o crime é um facto social e não existem sociedades sem crime, senão o mundo seria perfeito. Em Poitiers não se houve falar com frequência sobre a ocorrência de factos criminais.
Para terminar, tive a oportunidade de visitar L’Île de France e Bordeaux, uau, fiquei fascinada, maravilhada. Vi o reflexo do desenvolvimento no sentido literal da palavra. Visitei as principais atracções, contemplei edifícios enormes, imponentes, que são verdadeiras obras de arte e de demonstração do conhecimento. As cidades têm uma beleza e brilho invulgar. Se puder, não perca a oportunidade de visitá-las.

Alicénia Pensar Abudo

Doutorada ao Instituto de Ciências criminais de Poitiers

Alicénia Pensar Abudo, doctorante à l’institut de sciences criminelles de Poitiers, nous livre ses impressions sur son arrivée et son installation en France. Elle souligne par exemple l’efficience des moyens de transport collectif et partage son enthousiasme sur la vie en citée universitaire et les bonnes conditions qu’elle offre pour la réussite de ses études. Elle nous parle de la ville de Poitiers, de ses commerces et de la vie universitaire et…des français!   …                                                                                                                                    Alicénia Pensar Abudo, PhD student at the Criminal Sciences institute in Poitiers, gives her initial impressions of France. She stresses the quality of the transport network and shares her enthusiasm of the favourable working conditions for students in the french universities. She describes Poitiers; its shops and the everyday life at university, and…the French people!

 

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